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Quando trabalhamos com crianças com TEA, um grande foco diz respeito a estimulação da interação social, e uma dúvida que inquieta pais, cuidadores e professores é sobre como incentivar as brincadeiras: se deve-se deixar a criança brincar entre os pares de forma livre ou de forma dirigida.

Em um de nossos posts  já falamos um pouco sobre não ser recomendável deixar “a criança fazer do jeitinho dela” nas atividades pedagógicas do contexto escolar, e sim fornecer ajudas e dicas para a criança, à medida que for necessário. Mas e sobre a hora do brincar, como é mais recomendável agir?

Crianças com TEA costumam apresentar dificuldades em iniciar e manter as interações de modo recíproco e espontâneo. Esse déficit, segundo Bossa (2002) estaria relacionada ao comprometimento da Teoria da Mente: dificuldade em compreender intenções e estados mentais (pensamentos, sentimentos) das outras pessoas, e por conseguinte, a criança não sabe o que os outros esperam que ela faça.

As pesquisas apontam que o processo inclusivo deve ocorrer o mais cedo possível a fim de possibilitar na criança com TEA o desenvolvimento da habilidade de criar e manter relações. Ao se relacionar com crianças da mesma idade ocorre o desenvolvimento de aspectos sociais, como a cooperação, competição e intimidade.

Os programas de intervenção com brincadeiras dirigidas ocorrem quando os pares são estimulados e treinados pelos adultos para aumentar as interações sociais e servirem como modelo para as crianças com TEA. Segundo as pesquisas científicas, esses programas mostraram-se efetivos apenas temporariamente, com os efeitos positivos apenas durante a permanência do programa, não se mantendo após seu término.

Já em ambientes naturais, em contexto de inclusão escolar, as pesquisas indicam que as brincadeiras realizadas, por exemplo no pátio escolar, de modo facilitado (e não dirigido) possibilitam mudanças nas habilidades sociais das crianças com TEA de forma mais duradoura. Segundo os estudos de Kok et al.(2002), as mudanças ocorreram na área da comunicação, na diminuição dos problemas comportamentais e aumento da demonstração de interesse e atenção nos jogos pelas crianças com TEA, bem como o aumento das iniciativas sociais.

Sendo assim, diversos estudos indicam que as brincadeiras entre os pares precisam de uma mediação/facilitação, com sugestões e estimulações, e não necessariamente um programa direcionado e pré-estabelecido. Além disso, é importante que os jogos sejam estimulados no contexto natural das crianças, possibilitando, assim, que as aprendizagens sejam mais duradouras. E vocês leitores, conseguem mediar/facilitar a brincadeira de sua criança com os pares?

Referência:

Sanini, Cláudia; Sifuentes, Maúcha; Bosa, Cleonice Alves. Competência Social e Autismo: O Papel do Contexto da Brincadeira com Pares. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 2013, Vol. 29 n. 1.

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