Por Eduarda Carreira

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            Uma questão difícil e bastante frequente no dia a dia de pais de crianças e adolescentes com autismo envolve a tomada de decisão sobre como e quando os expor a contextos sociais específicos. Perguntas como “É uma festa apenas para as crianças. Devo deixa-lo ir?”, “Os primos vão para uma colônia de férias. Isso não seria muito difícil para ele?” ou “Devo deixa-lo ir à excursão da escola?” se tornam bastante complexas e de grande responsabilidade, sendo comum que haja questionamentos sobre as vantagens e riscos destas vivências, que devem, evidentemente, ser ponderadas.

Um estudo realizado na Universidade de Vanderbilt (EUA) buscou compreender o impacto de situações de interação entre jovens (entre 8 e 17 anos) com TEA, através de uma técnica que utiliza recursos de teatro para trabalhar estratégias comportamentais. Este foi realizado através de um acampamento de verão, com duração de 2 semanas. Os jovens tiveram suas habilidades de reconhecimento de faces, percepção social e habilidades de interação avaliadas anteriormente, objetivando um planejamento cuidadoso sobre a presença de cada um deles. O cortisol (marcador fisiológico de estresse) também foi medido através de coletas de saliva.

Os resultados do estudo apontam melhoria nas habilidades de reconhecimento de faces, cognição social e habilidades de interação. Além disso, foi registrado aumento de duração da interação entre as crianças avaliadas e pares previamente conhecidos. No que diz respeito ao estresse, foi observado que níveis mais altos de cortisol são registrados apenas nos primeiros dias, reduzindo durante o acampamento e permanecendo mais baixos em interações posteriores à intervenção.

Tais dados corroboram, portanto, a importância da exposição cuidadosa, gradual e controlada de crianças e adolescentes com TEA a contextos sociais e, reitera a ideia de que os níveis de estresse são mais altos nos primeiros momentos de interação, tendendo a reduzir na medida em que as crianças têm experiências bem-sucedidas e agradáveis. Ou seja, se você tem dúvidas sobre permitir ou não que seu filho frequente situações sociais inicialmente aversivas, acompanha-lo e auxiliá-lo em um primeiro momento pode ser a melhor saída! O começo pode ser difícil, mas com o tempo ele irá se adaptar, criar repertório e desfrutar desses momentos!

Pensando sobre este assunto, a Clínica Link Psicologia tem desenvolvido estratégias para que tais habilidades sejam trabalhadas de forma segura. Além das sessões individuais que abordam estes comportamentos para que sejam reproduzidos no dia a dia, são feitas sessões em duplas (com outras crianças) e em ambientes abertos como praças e shoppings. Em conjunto, é comumente recomendado que os pais e familiares estimulem tais vivências nas crianças, a princípio os auxiliando, e posteriormente assistindo.

 

Corbett, Blythe A., et al. “Improvement in Social Deficits in Autism Spectrum Disorders Using a Theatre‐Based, Peer‐Mediated Intervention.” Autism Research 7.1 (2014): 4-16.

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