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No texto que publicamos sobre a série “Autismo – Universo Particular” do Programa Fantástico (Rede Globo) explicamos alguns tratamentos para pessoas do Transtorno do Espectro Autista. Quanto mais cedo o diagnóstico for realizado, mais rapidamente pode-se intervir e estimular adequadamente essa população, propiciando um prognóstico melhor, uma vez que que nos primeiros anos de vida o ser humano possui maior neuroplasticidade para estabelecer novas conexões cerebrais e consequentemente aprender. Dessa forma, possibilitamos, ao longo dos anos de intervenção, que as pessoas com TEA se tornem independentes e consigam levar uma vida mais adaptada.

Quando as crianças são diagnosticadas na primeira infância, é comum os pais se perguntarem se devem colocá-las em uma escola regular ou em uma escola especial. Como coloca o Dr. Salomão Schwartz, algumas crianças com autismo conseguem acompanhar a turma de crianças da sua idade. Entretanto, algumas delas apresentam um atraso significativo em relação a seus pares e mantê-las em uma escola regular sem nenhuma orientação pode não ser o melhor caminho. Para que a inclusão realmente ocorra é preciso que a escola seja orientada e se adapte para se tornar um lugar de estimulação para essas crianças.

Para a Análise do Comportamento, a educação se baseia em criar comportamentos novos no repertório do aluno, e isso implica em planejamento para que seja possível intervir nas contingências educacionais, de modo a possibilitar o ensino de habilidades educacionais para indivíduos com autismo e promover a Inclusão Escolar. Para permitir que a criança aprenda nesse ambiente, deve-se avaliar quais comportamentos a criança já possui em seu repertório, identificar os comportamentos-alvo da intervenção e delinear o que e como ensinar.  Na nossa visão, é muito importante que o desenvolvimento do aluno seja comparado não só em relação ao grupo, mas principalmente em relação a ele mesmo, ao longo do tempo.

Muitas vezes a opção da escola, e dos pais, é contratar um acompanhante terapêutico (A.T.). Na perspectiva ABA, esse profissional deve modificar relações específicas da criança e do meio ambiente para alterar padrões de comportamento da criança e ampliar seu repertório adaptativo. É fundamental que o papel do A.T. seja planejado pelos profissionais que atendem a criança, pela escola e pelos pais para que seja transitório e para que a criança não se torne dependente.

Uma das dúvidas mais frequentes oriundas dos pais de crianças com diagnóstico de autismo diz respeito ao desenvolvimento futuro de seu filho. Será que ele conseguirá ter sua autonomia?! Locomover-se livremente pela cidade?! Aprender a dirigir?! Poderá cursar o Ensino Superior?! Poderá trabalhar e se sustentar quando adulto?! Conseguirá casar e gerir uma família?!

São muitas perguntas inquietantes e que só terão respostas com o decorrer do desenvolvimento da criança. É difícil mensurar até qual nível de desenvolvimento a criança atingirá, mas sabe-se que com o diagnóstico precoce, tratamento especializado e multi-profissional, orientação à escola e treinamento de pais, aliados ao cuidado, amor e estimulação no ambiente familiar, a criança poderá atingir o máximo de seu potencial. Conforme ilustrado pela série do Fantástico, há vários casos de crianças que, com o acompanhamento e estimulação adequados, tornam-se adultos com alto grau de independência, conseguindo ter sua autonomia, trabalhar e constituir família. Nós, pais, responsáveis, professores e profissionais, devemos sempre acreditar e estimular o potencial dessas crianças tão especiais, sempre comemorando cada “pequena” conquista e dando suporte para as próximas.

Veja aqui:

http://g1.globo.com/fantastico/videos/t/edicoes/v/pessoas-com-autismo-podem-trabalhar-e-levar-uma-vida-comum/2781397/

Fonte da imagem:
http://www.somarrecife.com.br/site/wp-content/uploads/fantastico.jpg

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