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Alguns leitores devem ter acompanhado a série “Autismo – Universo Particular” do Programa Fantástico (Rede Globo), que abordou questões distintas relacionadas ao Transtorno do Espectro Autista. No terceiro episódio da série, discutiu-se sobre a orientação especializada para indivíduos portadores desse transtorno e para suas famílias. Como explicado pelo programa, para que o tratamento tenha resultados satisfatórios é importante adotar uma abordagem interdisciplinar, ou seja, diversos profissionais familiarizados com o tema, como psicólogos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e psiquiatras devem atuar juntos para promover a eficácia do tratamento.

De acordo com o programa, pessoas com autismo podem apresentar comportamentos repetitivos e de autoagressão, como bater a cabeça, morder os dedos e as mãos e puxar o cabelo. É possível que esses comportamentos tenham alguma função, por exemplo, chamar a atenção ou ser uma forma de comunicação. Entretanto, podem ser comportamentos auto-estimulatórios, que não precisam de reforçadores externos por serem, em si, prazerosos.
Nos casos em que as crianças autistas apresentam tais comportamentos automáticos, a atuação de uma terapeuta ocupacional a partir da Terapia de Integração Sensorial é de extrema importância. Esse profissional deverá identificar as informações sensoriais que não estão corretamente integradas e promover a organização do comportamento e a emissão de respostas adequadas ao contexto.
Diante dos comportamentos repetitivos e de autoagressão dos filhos, os pais acabam fazendo de tudo para satisfazer as vontades da criança, mas “Será que essa é a melhor maneira de lidar com os comportamentos repetitivos comuns no autismo?”.
A Terapia Comportamental, no nosso caso especificamente a ABA, pode nos ajudar a responder essa pergunta. Esse método nos permite identificar a função desses comportamentos e, a partir daí, planejar a maneira mais adequada de intervir.
Um momento muito interessante do episódio foi o discurso do Dr. Salomão Schwartzman, o qual fez uma análise funcional do comportamento de birra e autoagressão, então que tal traduzirmos essa análise para a linguagem ABA? No exemplo dado pelo doutor, em um contexto dos pais ocupados com outra atividade (antecedente), a criança ao emitir o comportamento (resposta) de se bater e morder, imediatamente recebe a atenção e carinho dos pais (consequência – reforço). Sendo assim, a criança aprende que quando quiser a atenção dos pais, basta repetir essa mesma resposta de autoagressão que receberá a recompensa desejada.
Deve-se ressaltar que essa é uma das possíveis funções desse tipo de comportamento, mas que existem outras e cada caso deve ser analisado individualmente para se detectar a função do comportamento para uma criança, como descrito no post anterior.
Outra análise funcional foi comentada pela coordenadora da AMA, Marta Casaburi, em relação a comportamentos inadequados. No exemplo, uma criança emite o comportamento de bater a mão na cabeça para conseguir água. Dessa forma a criança aprende que esse comportamento é uma forma de se comunicar e passa a se comportar dessa maneira sempre que quiser água.  Para manejar essa situação, uma intervenção comportamental possível é a introdução da comunicação alternativa. O método P.E.C.S, como pontuado pelo programa, utiliza figuras para auxiliar a criança a perceber que, por meio da comunicação, ela pode conseguir aquilo que deseja sem ser necessário apresentar comportamentos mais graves (como o bater, por exemplo).
Apesar de nossa equipe trabalhar prioritariamente com o método ABA, não poderíamos deixar de comentar também sobre o método TEACCH também apresentado pelo programa. Esse modelo utiliza informações visuais como base para a intervenção terapêutica e pode ser muito útil para organizar a rotina de crianças com TEA que apresentam dificuldades com o planejamento de ações.
 Referências:
Silvestre, C., Momo, A. (2011). Integração Sensorial nos Transtornos do Espectro do Autismo. Em Memnon (Ed.)Transtornos do Espectro do Autismo (297 – 313).
Leon, V.C., Osório, L. (2011). O método TEACCH. Em Memnon (Ed.) Transtornos do Espectro do Autismo (263- 279).

Macedo, E.C., Orsati, F. (2011). Comunicação Alternativa. Em Memnon (Ed.) Transtornos do Espectro do Autismo (244 – 254).

Veja aqui: http://globotv.globo.com/rede-globo/fantastico/v/drauzio-varella-mostra-como-funciona-o-tratamento-para-autismo/2766483/

Fonte da imagem: http://www.joaovalente.com.pt/wp-content/uploads/2013/06/Captura-de-ecr%C3%A3-2013-06-18-%C3%A0s-15.01.02-804×330.png

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