A brincadeira faz parte da vida dos nossos pequenos desde muito cedo, não é mesmo?! No caso das crianças com TEA isso não foge à regra! O problema é que quando trabalhamos com essas crianças esbarramos em algumas adversidades, já que muitas vezes elas não exploram o brinquedo de maneira funcional (por exemplo ao invés de brincarem com o carrinho, preferem ver o movimento da rodinha) e apresentam dificuldades com a brincadeira simbólica, o faz-de-conta.

A comunicação também é uma habilidade muito esperada por todos, que geralmente se desenvolve naturalmente, sem que a gente tenha que ensinar tim-tim por tim-tim. Esse não é o caso das crianças com autismo. Essas muitas vezes precisam do auxílio de intervenções para aprender a falar, pois apresentam atrasos tanto na comunicação não-verbal, uso de gestos para representar uma ação ou pedir alguma coisa (bater palmas, fazer não ou sim com a cabeça, estender as mãos para pedir um brinquedo), quanto na linguagem expressiva (a fala).

E você sabia que há uma relação entre as dificuldades com o brincar e déficits na fala? É o que as pesquisas sugerem! Bom, se há uma associação entre essas duas áreas, possibilitar o desenvolvimento de uma implicaria o desenvolvimento da outra, certo? Certo! Há evidências de que intervir na brincadeira funcional pode ajudar no aumento da comunicação não verbal, e o aumento da comunicação não verbal pode levar a uma melhora da brincadeira simbólica. Por sua vez, a evolução da brincadeira simbólica pode influenciar na linguagem expressiva. Isso significa que desenvolver o brincar poderia ajudar as crianças com TEA a falar!

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Da forma com que colocamos aqui, pode parecer que uma coisa causa a outra, mas não é bem assim… Estamos sugerindo que há relações entre a melhora na habilidade de brincar e o desenvolvimento da fala. Saber dessas associações possibilita planejar intervenções mais consistentes e baseadas em pesquisas científicas.

Lieberman, R. G. & Yoder, P. (2012). Play and Communication in Children With Autism Spectrum Disorder: A Framework for Early Intervention. Journal of Early Intervention, 34, 82.

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