Trabalhando com crianças com autismo no nosso dia-a-dia percebemos que elas possuem dificuldades para realizar algumas atividades, tanto em casa quanto na escola. Muitas delas não conseguem ou não sabem como interagir com outras crianças, outras tantas têm dificuldades nas tarefas de sala de aula como colorir, desenhar e escrever. Para que nossas crianças possam se desenvolver e superar suas dificuldades precisamos fornecer ferramentas para ajudá-las com essas tarefas.

Mas… quais ferramentas?!

Um dos preceitos básicos do método ABA e que pode nos ajudar a resolver essa questão é a aprendizagem sem erros. A ideia é que devemos garantir que a criança apresentará a resposta correta (não cometerá muitos erros) e ficará motivada para realizar as atividades. Consequentemente as chances dela fugir das situações de aprendizagem diminuirão.

Vamos pensar em quando estamos tentando aprender alguma coisa nova (como um programa de computador!) e erramos muito. Provavelmente vamos querer desistir bem rápido e, se formos forçados a continuar, não ficaremos muito felizes… Por outro lado, se somos bem sucedidos, nos sentimos melhor em relação à atividade e permanecemos mais tempo realizando-a. Não é mesmo?

-Mas como fazer para garantirmos que a criança não irá errar?

-É aí que entram as dicas! São ajudas extras que fornecemos a criança que a ajudará a realizar as atividades.

Por exemplo, uma criança sente aversão em pegar no lápis e por isso o joga longe toda vez que tem que escrever. Difícil imaginar que a criança fará isso por conta própria porque nós estamos pedindo… O que podemos fazer é dar ajuda máxima, ou seja, dar a ajuda física total, segurar a mão da criança e ajudá-la a fazer a atividade.

-Mas vamos fazer pela criança?

-Não é por ela, mas COM ela…

Aos poucos a criança vai percebendo que consegue escrever e que com nossa ajuda não é tão difícil assim:

dojeitinhodela

À medida que a atividade fica menos aversiva, vamos diminuindo a ajuda e a criança vai se tornando independente. E como fazer isso dependerá muito de cada criança! Podemos começar a atividade segurando a mão da criança e depois soltar para que ela faça sozinha apenas o final ou podemos fazer tracejado para que criança passe o lápis por cima deles… Enfim, as opções são muitas e dependerá da situação e da criança.

Pensem nesse exemplo: nós adultos quando estamos aprendendo a dirigir não entramos no carro e já saímos por ai dirigindo como pilotos! Primeiro treinamos com um instrutor do lado que faz tudo conosco: pega no volante, passa a marcha, dá a seta, avisa quando temos que frear e acelerar, olha para fora do vidro para ver se podemos ultrapassar… Conforme praticamos, a ajuda do instrutor é cada vez menos necessária e adquirimos confiança para dirigir sozinhos. Com a criança é a mesma coisa!

O importante da ajuda física e de toda ajuda que damos para a criança é não torná-la dependente da mesma e, para isso, devemos esvanecer a ajuda sempre que possível!

Entretanto, a crítica que muitas vezes recebemos quando propomos esse tipo de intervenção é que estamos fazendo pela criança e que temos que deixa-la livre, que no tempo dela, ela chega lá. Alguns poderiam dizer: “Deixe-a fazer do jeitinho dela!”, “E onde fica o desejo da criança?” outros poderiam perguntar…

O que nós nos perguntamos é: será que o melhor é deixar a criança fazer o que quiser quando quiser? Ou vamos dar suporte para que ela realize as atividades? Será que ela já tem a capacidade de decidir o que é melhor para ela e cabe aos adultos acatar? Ou será que ela gostaria de dar conta, mas não sabe como?

Vamos pensar em crianças típicas. Às vezes está na hora do para casa e por mais que a criança queira jogar vídeo game, ela terá que fazê-lo, concordam? E nós, quando acordamos com preguiça e não queremos ir trabalhar?! Aiii como desejamos dormir mais um pouquinho… (In)felizmente todos temos que aprender a equilibrar deveres e prazeres: temos que chegar na hora no trabalho, fazer o dever de casa, aquele relatório chato…

Acontece o mesmo com nossas crianças com autismo. Por mais que tenham dificuldades em algumas áreas, precisamos ajudá-las a superá-las para que se desenvolvam. Então, lembrem-se: Não tem problema dar ajuda! O importante é não tornar a criança dependente desta ajuda!

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