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“Atribuir estados mentais ao outro é a maneira mais fácil de compreendê-lo: formular explicações para o seu comportamento e prever o que ele pode fazer em seguida. E nem percebemos que estamos fazendo isso! Também passamos a compreender a comunicação: quando procuramos saber o que o outro está falando, imaginamos qual seria a nossa intenção ao comunicar aquilo. Ou seja, a Teoria da Mente também é extremamente importante para a compreensão de ironia, sarcasmo, metáforas e humor, visto que quem está falando não tem a intenção de que suas palavras sejam compreendidas literalmente. E isso também se aplica a comunicação não-verbal. Quem está falando deve monitorar se o que falou foi compreendido pelo ouvinte, ou se precisa parafrasear. E isso é mais um sinal de que o diálogo é muito mais do que produzir palavras. O diálogo está intrinsecamente ligado à habilidade de Teoria da Mente.

A criança com déficit de Teoria da Mente pode apresentar:

1- Aparente insensibilidade em relação aos sentimentos dos outros.

2- Não levar em conta o que os outros sabem (ou não sabem) quando vão contar algo.

3- Inabilidade de fazer amizades (iniciar interações) através da compreensão das intenções.

4- Inabilidade de perceber o nível de interesse do outro no seu discurso.

5- Inabilidade de detectar o que a pessoa que está falando realmente quer dizer.

6- Inabilidade de antecipar o que os outros podem pensar do comportamento de alguém.

7- Inabilidade de compreender desentendimentos.

8- Inabilidade de manejar / entender “decepções”.

9- Inabilidade para entender a verdadeira intenção da pessoa.

10- Inabilidade de entender regras do senso comum /convenções sociais.”

E é possível ensinar Teoria da Mente? Sim. Mas dá trabalho, pois envolve uma mudança na compreensão. Vamos falar disto no próximo post.

Tradução do livro Teaching Children with autism to mind-read (Howlin, Baron-Cohen & Hadwin, 1998)

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