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Como vimos, comportamentos operantes produzem consequências no ambiente que aumentam ou diminuem a sua probabilidade de ocorrência futura. Quando as consequências enfraquecem o comportamento em sua frequência, duração e magnitude, dizemos que a resposta foi punida. Assim, punição pode ser definida como uma redução na probabilidade de ocorrência futura de uma resposta específica, como resultado da apresentação ou retirada imediata de um estímulo para aquela resposta. É importante notar que consequências punitivas não são necessariamente dolorosas, ao contrário, consequências dolorosas nem sempre diminuem a probabilidade do comportamento voltar a acontecer.
Existem dois tipos de punição: positiva e negativa. Denominamos punição positiva aqueles comportamentos que são seguidos pela apresentação de um estímulo aversivo, e têm a probabilidade de ocorrer novamente diminuída; e punição negativa respostas seguidas pela retirada de estímulos considerados “agradáveis” que diminuem a probabilidade daquela resposta ocorrer novamente.
Como vimos, crianças com TEA podem apresentar comportamentos disruptivos numa frequência maior que comportamentos adaptativos. Por exemplo, em situações em que desejam alguma coisa que não podem ter acesso, fazem birra. Nesses momentos, pode acontecer dos pais punirem positivamente esse comportamento (por exemplo, xingando ou batendo) para que ela pare de chorar ou negativamente (por exemplo, privando a criança de alguma coisa que ela gosta, como o videogame ou a televisão).
Dizemos que a punição pode ter efeitos colaterais indesejáveis, são eles: a punição só tem o efeito de suprimir a resposta enquanto o agente punidor estiver presente (por exemplo, na presença da mãe ou do pai que xingou ou bateu); sua aversividade provoca efeitos emocionais aversivos que podem ter como consequências respostas de fuga-esquiva; pode ocorrer aumento da tendência de agressão ou de destruição; há uma redução do repertório comportamental do indivíduo que sofreu a punição; é também incompatível com a aprendizagem de novos repertórios, ou seja, ensina apenas o que não deve ser feito, e não ensina novas respostas.
Referências:
ABREU, C. N; GUILHARDI, H. J. (2004). Terapia Comportamental e Cognitivo-comportamental: práticas clínicas.Editora Roca.
NOVAK, Gary; PELAEZ, Martha (2004). Child and Adolescent Development: A Behavioral Systems Approach. Sage Editor, EUA.

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