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A conexão afetiva que é estabelecida entre a criança e as pessoas a sua volta é fundamental para seu desenvolvimento. Para isso, os pais devem sempre estar atentos para estimular interações sociais e afetivas com seus filhos no cotidiano.

Interações diádicas (entre a criança e o adulto, sem brinquedo) devem ser sempre estimuladas! Algumas ideias de interação diádica são: formiguinha, cócegas, serra-serra serrador, brincar de voar, massagem, fazer sons diferentes e onomatopeias, fazer caretas, entre outras.

Durante essas interações, comportamentos como sorriso social, vocalizações e contato ocular, imprescindíveis para o desenvolvimento social das crianças, devem ser estimulados. A habilidade da criança de antecipar a ação do outro, como em uma brincadeira de cócegas, ou serra, serra serrador, é importante para o desenvolvimento da comunicação.

Assim, sempre que for conversar com a criança, mantenha contato ocular com ela, abaixando à sua altura, pois, além de ouvir o que lhe é dito, a criança também verá o seu rosto e sua expressão facial, tendo mais pistas para a comunicação. Além disso, a família sempre deve estar atenta ao tom de voz que usa com a criança para estimular a conexão afetiva com elas, usando tom de voz afetuoso.

Em interações triádicas (entre a criança e o adulto, com um objeto/brinquedo), em que a criança compartilha sua atenção por um objeto ou evento de interesse com o seu parceiro de interação, a habilidade de atenção compartilhada deve ser continuamente estimulada. Essa habilidade é precursora do desenvolvimento de habilidades importantes, como teoria da mente, jogos simbólicos, fala, aquisição de regras sociais e autoconsciência.

Vamos então definir essa habilidade fundamental, que é a atenção compartilhada. Ela é definida pelos comportamentos comunicativos não verbais utilizados pela criança para seguir, compartilhar ou direcionar a atenção do adulto para algum evento ou objeto que seja de seu interesse. É a partir dos comportamentos de atenção compartilhada que as crianças demonstram comportamentos verdadeiramente intencionais, visto que, através dos gestos, elas procuram atingir determinados fins.

Em brincadeiras como formiguinha, a criança deve ser estimulada a alternar o olhar dos dedos para os olhos do adulto. Usando fantoches ou brinquedos do seu interesse, estimule a criança a olhar para o brinquedo e depois para você, fazendo esse compartilhamento de interesses durante a interação!

Assim, estruturar situações singulares de acordo com o interesse de cada criança, de modo que elas prestem atenção às pessoas à sua volta é fundamental. Por isso, aproveite os interesses da sua criança para estimular essas habilidades fundamentais para o seu desenvolvimento!

Referência: Fiore-Correia, O, Lampreia, C. (2012). A Conexão Afetiva nas Intervenções Desenvolvimentistas para Crianças Autistas. Psicologia: ciência e profissão, 32 (4), 926-941.

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